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SALMO DA HORA

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A Culpa é do Cão
 
Depois do meu horário de serviço, eu saí para ir tomar o meu banho e me arrumar para o culto. No caminho entre a rodoviária e a casa de meu maninho, eu passei por uma rua em que a luz do poste estava coberta pela folhagem de uma árvore. Enquanto caminhava pela rua escura eu pisei na pata de um cachorro, que reagiu latindo em minha direção. Algumas mulheres que conversavam diante de uma casa deram uma bronca no bichinho, enquanto eu pensava:

- Tadinho do cãozinho, ele não teve culpa.

A lâmpada da epifania acendeu sobre a minha cabeça, iluminando as minhas ideias para esse artigo.

A versão digital do dicionário Aurélio possui sete definições para o vocábulo “cão”, entre elas, a analogia com o Diabo, tão comum na linguagem popular brasileira. E nesse artigo eu quero brincar um pouco com essa analogia.

- Eu não sei como isso aconteceu, só pode ter sido o Diabo atentando!

- Demônio astuto, colocando essa mulher na minha vida!

- Eu estava conversando com alguns amigos, e o cão me ofereceu daquela cerveja!

Se você é cristão, já deve ter ouvido algo parecido com essas frases acima. Eu e meu irmão Alessandro temos o costume de dizer: “Tadinho do Diabo, a culpa nem é dele!”

Queridos leitores, não desconsidero a atuação demoníaca no mundo em que vivemos, conheço a sua natureza ladina-assassina-destruidora. No entanto, muitos cristãos imaginam o Diabo como o Coiote do desenho do Papa-Léguas, sempre com planos mirabolantes desenhados em um quadro negro.

Devemos lembrar que a nossa natureza é má e pecadora. Por mais fervorosos que nós possamos ser, os desejos pecaminosos sempre assolam nossa alma, o Apóstolo Paulo que o diga:

“Porque o que faço, não o aprovo, pois o que quero, isso não faço; mas o que aborreço, isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. De maneira que, agora, já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e, com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho, então, esta lei em mim: que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus. Mas vejo nos meus membros outra lei que batalha contra a lei do meu entendimento e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7. 15 a 24).

Veja como o apóstolo não esconde a sua verdadeira natureza. Ele reconhece que todos estão sujeitos a escolher pecar. Em nenhum momento ele colocou a culpa no tinhoso. Existe um conflito interno entre o desejo de obedecer a Deus e a vontade de saciar os desejos da carne (natureza pecadora).

Então, digamos que uma pessoa resolve digitalizar a revista XXX desse mês e espalhar por e-mail, e que essa cartinha virtual caiu na minha caixa de entrada. Ao ver o título “VEJA AS FOTOS DE FULANA DE TAL NA REVISTA XXX”, o meu lado “Testosterona Full Power” deseja de todo o modo ver as fotos, no entanto eu sei que isso é pecado segundo o padrão divino. A escolha entre colocar ou não algo mal diante dos meus olhos é MINHA.  

Aqui temos a velha escolha entre luz e trevas. Se eu apagar o e-mail malicioso estarei na luz. Se, por outro lado, eu fechar portas e janelas, dar uma última olhada sobre os ombros testificando que não há testemunhas, e abrir o material, estarei permeando caminhos tenebrosos.

Podemos culpar o Diabo por influenciar a imoralidade sexual, por criar a indústria da pornografia e por inspirar o pirateador que multiplicou e-mails. Agora, se EU, que tenho a mente de Cristo e a unção do Espírito Santo, resolver ver as fotos, a culpa não é do demo. O pecador é responsável pelas escolhas que lhe levaram a trilhar as ruas sem a luz das bênçãos de Deus.

O Senhor Jesus, no momento mais crítico de sua vida terrena, deixou essa lição aos discípulos no Monte das Oliveiras:

“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Marcos 14. 38).

O vigia percebe ao longe a proximidade do perigo. Agora, se o segurança cochilar, e não ver a atuação do assaltante, ele cumpriu o seu papel? O pecado surge quando somos atraídos e engodados pela nossa concupiscência (Tiago 1. 14 e 15), se estivermos vigiando, não seremos encantados pela concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida (1 João 2.16). Aliás, o vigia atento percebe a presença do inimigo e resiste ás suas artimanhas (Tiago 4. 7).

Isso me lembra de outro caso engraçado. Certa vez eu estava na porta de nossa igreja durante o início do culto, atuando como recepcionista, quando eu percebi algo inusitado. Uma família estava chegando ao culto e junto com eles vinha um cachorrinho, eles entraram e o animalzinho pretendia fazer o mesmo. Eu fiz um gesto para afastar o bichinho, que deu meia volta com o rabinho entre as pernas. Meu irmão Alessandro que estava por perto não perdeu a oportunidade, chegou pertinho dos irmãos da portaria e disse:

- Isso que é diácono, não deixa o cão entrar na igreja!

É evidente que eu não estou bancando o advogado do Diabo. Ele continua miserável e disposto a nos ver na mesma situação, por isso devemos não dar lugar para ele (Efésios 4. 27). No entanto, ele conhece a fraqueza de nossa natureza pecaminosa, por isso devemos vigiar para não pecar, e consequentemente, resistir às suas ofensivas. Tudo começa em nossas escolhas, escolhamos nos revestir das virtudes alcançadas através de uma caminhada diária com Deus.

“No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo; porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes. Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça, e calçados os pés na preparação do evangelho da paz; tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno. Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus, orando em todo tempo com toda oração e súplica no Espírito e vigiando nisso com toda perseverança e súplica por todos os santos” (Efésios 6. 10 a 18 / Grifo nosso).
 
COLABORAÇÃO: Alex Fábio Silva    (Sementes do Evangelho)
 

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